Encontros e encantos de Salvador-BA: comunidade e resistência na primeira capital do Brasil

*por Prof Renan

O estudo de campo em Salvador, realizado pelo 6º ano, ocorreu entre os dias 4 e 9 de agosto. O tema central foi alteridade (pluralidade), a partir das experiências que vivemos com diversos grupos que resistiram às adversidades ao longo de suas histórias.

No domingo, conhecemos as Ganhadeiras de Itapuã, na Lagoa do Abaeté, grupo de mulheres que mantém viva a memória de seus antepassados, que sobreviviam lavando roupa e vendendo quitutes pela cidade, através da música, da dança e da história oral. Na segunda-feira, visitamos os Quilombos Kaonge e Dendê, no Recôncavo Baiano, que resistem há séculos, desde a escravidão, mantendo as tradições culturais e religiosas trazidas da África pelos escravos.

Atualmente, a comunidade é produtora de azeite de dendê, ostras, farinha de mandioca entre outros itens alimentícios. No fim da visita, pudemos conhecer o funcionamento do sururu, um banco e uma moeda comunitários que circula em várias comunidades nas proximidades e possui excelente serventia para alavancar o comércio local.

Na terça-feira, visitamos o Terreiro do Gantois, o grupo de capoeira de angola Nzinga e a Associação Didá de música e percussão. No Gantois, fomos recebidos pela principal liderança, que fez uma roda de conversa para nos contar sobre a história de resistência ao longo dos séculos XIX e XX. Na atividade de capoeira, pudemos conhecer um pouco da história dessa luta que também é dança, também aprendemos a praticar os principais movimentos e sons, utilizando o nosso próprio corpo, e instrumentos como o berimbau e o atabaque. Na associação Didá, que possui como objetivo melhorar a qualidade de vida de meninos e meninas pobres através do incentivo e prática da cultura, realizamos uma oficina de dança afro e percussão. Na quarta-feira feira, fomos para a Ilha de Maré para conhecer e entrevistar pescadores, marisqueiras, rendeiras, além de observar as belíssimas paisagens e ritmos de vida na ilha. Na quinta-feira e último dia de estudo, visitamos o Pelourinho e o Mercado Modelo, fazendo diversas atividades de observação e registro sobre a paisagem, a arquitetura e o modo de vida das pessoas, o que nos fez apreender e refletir sobre as semelhanças e as diferenças em relação a nossa vida cotidiana. Nesse dia, também visitamos a mikvê de Salvador, encontrada nos fundos de um hotel no Largo de São Francisco em 2005. Essa é, possivelmente, a construção judaica mais antiga no Brasil. A marca de resistência de um judeu, nos tempos de inquisição, que escondeu em sua própria casa um símbolo e um sinal de comunidade daquela época.

Por fim, vale destacar que o estudo de campo em Salvador foi repleto de experiências que se tornarão marcantes na memória de todos os participantes, alunos e professores, pois pudemos conhecer e vivenciar diversas comunidades que superam seus desafios cotidianamente, fazendo permanecer sua cultura, sobretudo, através da música, da alimentação, da dança e da religião. Com todas essas visitas e atividades, buscamos fortalecer a pluralidade, conceito e prática que se tornam fundamentais para o desenvolvimento social e pedagógico de crianças e adolescentes no século XXI.

LEIA TAMBÉM DEPOIMENTO DOS ALUNOS DO 6o ANO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *