Mensagem de Pessach

QUANDO O QUE ESCOLHEMOS NÃO SÃO AS BATALHAS QUE TEMOS À NOSSA FRENTE, MAS O MODO COMO ÀS ENFRENTAMOS

A nossa tradição traz consigo, geração após geração, a seguinte narrativa, que nos simboliza enquanto povo e nos une pelos valores cultivados pelos nossos antepassados por séculos: depois de 430 anos de escravidão, Deus retirou-nos do Egito com a mão forte e o braço estendido. Conquistávamos, assim, a tão sonhada liberdade. Muitos acreditaram que tudo se resolveria com a libertação sem suspeitar que, pela frente, haveria ainda 40 anos de deserto, inúmeras rebeliões e guerras até que chegasse a eles a conquista da terra que emanava leite e mel.

No decorrer dessa epopéia em rumo à liberdade, dois personagens merecem a atenção pelo ânimo e coragem perante à delicada situação: Josué e Calebe. Ao relembrar a história deles, algo se revela e lança luz sobre as sombras que, hoje, parecem avançar sobre nós. Sabemos que Moisés enviou 12 espiões para que o nosso povo pudesse compreender o que enfrentaríamos na conquista da terra prometida. Dez deles voltaram murmurando e revelavam a Moises que seria impossível seguir adiante. Os relatos deles traziam imagens de povos poderosos, cidades fortificadas e gigantes. Contudo, dois desses espiões, Josué e Calebe, embora admitissem que os inimigos eram certamente mais fortes do que nós, não relutaram em anunciar o seu julgamento: “Subamos animosamente, e possuamo-la em herança, porque certamente prevaleceremos contra ela”.

Dessa pequena narrativa, resta-nos a certeza de que, na maioria das vezes, não escolhemos as batalhas que lutamos, independente das incertezas de sairmos delas vitoriosos. Elas, simplesmente, se apresentam. O que nos cabe é a maneira como as enfrentaremos.

Desejamos que, neste Pessach, possamos, além de comemorar a liberdade conquistada, também sejamos convidados a refletir sobre nossa postura frente às crises que vivemos e com as quais devemos conviver. Que em tempos como esse, sejamos corajosos. Que nosso ânimo não desfaleça diante das dificuldades. Que possamos estender o nosso braço até onde pudermos a fim de ajudar o próximo. Que, se preciso for, façamos sacrifícios em prol de um bem maior. Que sejamos guiados segundo dois dos princípios que nos fizeram chegar até aqui:

“Ame o próximo como a ti mesmo”

“Se não eu, quem? Se não agora, quando?”

Desejamos Chag Pessach Sameach à todas as famílias.

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