O primeiro ciclo da educação formal revela-se um desafio tanto para os alunos como para as famílias. Afinal, a organização do cotidiano e a introdução de uma rotina mediada pelo aprendizado de conteúdos curriculares concentram esforços em estabelecer as bases de um estado de autonomia frente às dificuldades. O resultado desse processo é sentido pela necessidade de que os alunos iniciem, ainda que lentamente, um movimento de reconhecimento e aprendizagem de uma nova sintaxe capaz de mediar as relações que eles estabelecem com os outros, com os adultos da escola e, sobretudo, com os pais.

O ambiente escolar, portanto, deve ser um espaço em que se possa firmar e testar os acordos para uma sociabilização que seja capaz de promover o trabalho colaborativo, a invenção e a sedimentação de um repertório comum. O erro, durante essa primeira fase da educação formal, torna-se um elemento fundamental para fomentarmos as bases para a formação de um adulto resiliente e apto a inventar soluções para os problemas que lhe são apresentados.

Nesse cenário, os três primeiros anos do aluno na escola é o espaço em que privilegiamos desenvolver os mecanismos fundamentais para aprimorar a escuta do outro e as consequências inevitáveis desse movimento de inscrição da criança no universo social. O desenvolvimento das aptidões pessoais está intimamente ligado ao trabalho colaborativo, inventivo e organizado. Saber trabalhar em grupo, organizar-se diante dos usos dos materiais pedagógicos e conviver com naturalidade com as dificuldades tornam-se o centro da escola nessa primeira fase da formação.